segunda-feira, 26 de julho de 2010

Revolution


I want in,
I want out,
I want back,
I want again.
But i'm still still.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Dot


It's the same moon,
It's the same moon.
It's the same moon that makes my body tingle.
It's my moon,
It's your moon,
It's the same moon.

It's growing bigger and bigger
With every breath that takes place.
And it won't explode,
And it won't fade away:
It shall remain until my last carbon is perished
Or more.

It's the same moon.
But it's so far away.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Trânsito


Esquerda.
Anda, pára, anda, pára.
Eu olho para a pista ao meu lado,
Os carros parecem mover-se mais rapidamente
Do que nesse pedaço de chão.
Lá vai um, e outro e mais outro.
O outro lado é melhor.

Então, quase que automaticamente,
Minha mão esquerda aciona a seta,
Mas volto aos meus sentidos,
A mesma mão desliga-a.
Não, não. Melhor continuar aqui.

Aí passa um vermelho, um preto, um prata.
E eu aqui parada.
Se eu posso ir rápido,
O melhor não seria sair daqui?

Então, conscientemente, eu sinalizo
Minhas intenções e chego aonde quero.
Direita.
Mas agora aqui não anda.
E eu percebo que o antes era melhor.

Os carros que eu via passando,
Eles eram os que eu ultrapassava.
E agora há concreto no meio.
Eu não posso voltar.


21.agosto.2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Under my skin


It was Sunday afternoon. A stroll in the park in that mild weather seemed to be perfect. Just a gentle sunshine, a soft breeze kissing my skin and a sky so blue one could forget there is such a thing as clouds.

She was by a tree. Her wavy brown hair swayed gently with thus calm the whole universe appeared to be in slow motion. There was I, presented with the most gracious scene ever conceived. Charm of fate.

Her lips. The way they slowly moved to the pace of her reading, it was as though they were waiting for a surprise company, for that was what they seemed to ask for. And her eyes, the way they blinked, it was more like they wanted to be shut because of shivers provided by whispers in her ear. Her figure was just so lovely my insides actually ached. Oh, she was the epitome of everything I had been looking for across oceans, foreign lands and random bodies.

So I called her name. I did not know what it was; phonemes were randomly spoken in a way that suited best the perfect angle her hands formed while holding her book.

But she did not look up. She simply kept staring at her words. However I did notice the corner of her lips turning into a shy, quick smile. Yes, she had smiled. But I guess I will never know whether it was for me or a humor factor in her reading: Alicia arrived at that very moment, taking my hand, taking me from the vision I shall always remember as the reason why I sing.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desejo


Quem me conhece sabe que estou preso injustamente. Vou contar-lhe a minha história...

Era noite do 5 de abril de 1832 em Paris, início da minha vigésima primavera. O ar era gelado e a lua reinava bela, mas eu não podia evitar um sentimento de inquietação que crescia dentro de mim. Era noite, era Paris e Desirée estava trancafiada sozinha em seus aposentos: louco seria se não fosse atrás dela.

Eis, então, que apertei meu passo, outrora lento e perdido por uma pequena rue, em direção à casa dela. Uma caminhada moderada e pronto, estava a vislumbrar sua janela. Luz era emanada por entre as cortinas alvas e este era o meu sinal. Enfim, após dois anos e meio, poderia vê-la, tocá-la, beijá-la.

Pendurei-me na trepadeira que revestia o muro e pus-me a escalá-la. Era uma árdua investida, mas valia cada hematoma. E, após alguns minutos, recebia meu prêmio, abrindo a janela que me separava daquele outro mundo.

Logo meti-me entre suas colchas que tinham seu cheiro enquanto admirava sua belíssima face. Ela estava estática, mirando-me pelo espelho de sua penteadeira de cor marfim como se eu fosse um fantasma. Embora permanecesse sentada, não movimentava mais a mão que escovava seus cabelos. Era uma estátua divina. Levantei-me, então, de sua cama e iniciei um passeio pelo quarto, meu velho conhecido. E foi aí que ela proferiu o que seu olhar já dizia. Estava atônita, queria saber o que eu fazia ali. Mas eram apenas frases para preencher o silêncio, ela já sabia a resposta. Palavras eram pleonasmo, então passamos à ação.

Tinha passado-se um quarto de hora e ainda suspirávamos. Ela, em meus braços, beijava-me com seus doces lábios. E foi nesse ponto que o pai fez sua entrada abrupta no cômodo. Havia ouvido-nos. Com o demônio nos olhos, ele tentava arrancá-la de mim novamente. Minha amada desdobrava-se em lágrimas, tentando abraçar-me, enquanto eu lutava com o outro. Mas era inevitável. Era outro adeus.

Mas tudo foi diferente depois daquela vez. Nada de alienistas reclusos ou universidades do outro lado do mundo. Cansara de perdoar-me. O homem que chamava de nosso pai deserdou-me e mandou-me para cá. Estou cativo por amar Desirée. E agora diga-me, então: qual a justiça em ser preso por amar?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Tempos contemporâneos


Vestiu-se minimamente de seda e renda como se vergonha fosse tê-la. Estava afoita, sedenta de amor e acalentos, e a noite era aquela. Bastava de perfumes e espelhos, era hora de sair do banheiro e ir para o quarto da suíte - era hora de sentir-se mulher.

Abriu a porta lentamente, revelando, de forma sutil mas provocadora, suas curvas, que naquele momento encontravam-se favorecidas pelos minúsculos panos que logo enfeitariam o chão. Caminhou a passos longos mas vagarosos até a cama com seu olhar mais insinuante. Delicadamente deslizou a mão pelos lençóis brancos de algodão egípcio enquanto exalava sensualidade a cada leve e penetrante suspiro. Ela estava pronta.

Sentou-se na ponta da cama e inclinou-se na sua direção. Começou a tirar lentamente as roupas dele; cada toque em sua pele suave fazia as extremidades dela estremecerem. Beijou-o passionalmente e guiou as mãos dele para que a desnudasse. Ela mal podia esperar para deslizar aqueles mesmos lábios de ponta a ponta naquele corpo quente contra o qual ela roçava-se.

Mas ele não fez coisa alguma. Não beijou-a de volta nem moveu-se para despir o pouco que ela vestia. Apenas, momentos depois, tirou-a de seu topo. Levantou-se e passou as mãos pelo seu rosto e cabelo negro. Deu dois passos para cada lado do quarto, olhando para seus pés, enquanto era mirado pela mulher, perplexa:

― Não sei mais o que fazer para trazer-te para mim! Nada parece suficiente. Estás matando-me, homem! Pois diga, então, o que queres!

E, como mais nada se faria necessário, simplesmente respondeu:

― Falo!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Consolação


Aquele gás vital que enchia seus pulmões e depois circulava por suas hemoglobinas, permitindo que ele tivesse aquele ar sonhador, era paixão e nada mais.

Andava por uma avenida abençoada pelo bondoso sol quando avistou uma banda de flores e, no mesmo segundo, a imagem de Amanda veio a ele. Pensou no seu sorriso e seu braços abertos de felicidade quando recesse um buquê de suas flores favoritas e pôs-se a desembolar os poucos trocados que seu emprego permitia. Era um buquê modesto, mas eram as gérberas mais lindas para a mulher mais linda.

Apertou o passo a fim de chegar o mais rápido possível ao seu ninho e ser recebido pelo calor do toque da mais bela das criaturas. O caminho parecia tão longo quando aquele sentimento de antecipação ardia em seu peito. E enquanto andava, tinha mais certeza de que ela seria até o findar da eternidade o epítome de todo o amor que dele poderia fruir.

Empurrou o velho e pequeno portão de madeira e logo seus olhos diminuíram ao passo que as esquinas de seus lábios curvaram-se. Foi até os fundos e sentou-se na lajota de concreto que estava ao lado de uma tímida lápide que continha apenas uma foto, sem qualquer dizer. Atrás de ambos, uma árvore fazia sombra para que ela continuasse alva e pura, como sempre fora.

Ela estava ali desde seu lapso, quando espíritos diabólicos tomaram-lhe o corpo e disseram que o deixaria. Expulsou-os. E agora Amanda era bela para sempre sob suas gérberas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sobre a felicidade


Entre um copo com dois dedos de vinho barato, o terceiro cigarro seguido e pensamentos florescendo a cada segundo, cheguei à conclusão que a palavra mágica desse cotidiano frustrado é infelicidade. É isso que nos move e motiva. E não, não há aí um paradoxo, uma antítese, idéias que se contrapõem ou qualquer coisa do gênero com que você possa querer retrucar - é uma relação natural e direta que dispensa argumentos contrários.

O dia-a-dia fatídico de trânsito, caos, desencontros e pranto por misericórdia e o fato de repetirmos tudo isso no dia seguinte, permeando as mesmas desgraças e ainda assim estampando na alma um quê de esperança, só reforça essa idéia.

E enquanto vislumbrava meu degradado estado e toda a desilusão que me acometia, entendi que sequer existiria fé não fosse o mal existir e cercar-nos. Seria uma vida tão pacata e determinada a dar certo que traria à tona o bom e velho escapismo ultra-romântico. Os então ditos países perfeitos com suas altas taxas de suicídio que o digam.

É isso. Posso estar afogando-me em maus hábitos e queixar-me da vida, mas isso é viver. Não estou aonde gostaria de estar e amanhã enfrentarei outras dificuldades, porém tudo isso não passa de trivialidade. Sem desafios é que não prosseguimos a respirar. A infelicidade é a grande tônica - mesmo que antagônica à razão.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Interiormente


Este sentimento de incompletude
Que contraria a minha razão:
É como estar beirando um açude
E vir a perecer de sequidão,
É estar em profunda solitude
Permeando uma vasta multidão,
Algo que um reles poetizar
Não passa de um novo enganar.

Se cambiasse teria virtude,
Mas encarcera alma e coração;
Sim, tentei expurgá-la como pude
Mas a esta ânsia não dou vazão.
E como brilho de vil amplitude,
Ressemblo iludida luz em vão:
Tais versos soarão sem o cantar
Pois não se faz a voz alta ecoar.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Noite nublada


Noite, oh, noite! A lua parece beijar arranha-céus e eu aqui, tão distante e tão próximo. Quase poderia tocá-los, não fossem meus olhos meros farsantes: não se pode ter tudo que se vê. E essa falta de nuvens, ela tão somente põe-me a indagar por que há dias em que se acorda assim, em que despertador, banho, barba, dentes, trabalho e uns goles de qualquer bebida com algum álcool, apesar de ações quase que automáticas de um cotidiano ameno, adquirem esse sentido totalmente novo e incompreensível.

Cigarro. Uma tragada e, ah, lá se vão dois meses de abstinência. E nesses dois meses, vai lá saber quantos segundos se passaram desde Larissa e seus beijos, seus dentes que procuravam o meu pescoço tão ferozmente, sua saliva mais quente que meu corpo, aquele desfecho estremecedor. Outra tragada e já me lembro por que fumava antes. Essa tontura nauseante familiar, essa fumaça inebriante e esse cheiro que não sairá dos meus dedos até um belo banho quente. Um banho e curvas perfeitas dela, tão visíveis em meio àquele vapor fumegante que era apenas mais frio que seu toque. Compenetrava-me sem qualquer olhar, fazia desejar-me morto com o mínimo dos atritos que seus lábios divinos causassem. Só mais um pouco de fumaça e um belo saudosismo.

Eis o mínimo que fez toda a diferença em meio a dias corridos e nebulosos. Não, não; o leve toque narcótico apenas relembrou-me de que não são as luzes, não é a rotina, não é o cigarro: um fumo é sempre um fumo e eu não sou eu sem ela a qualquer instante. Essa falta de nuvens, afinal, grita que a rotina trata-se de dias vazios.

Noite, oh, noite! Não se poderia permitir que terminássemos com nossa própria vida!