Trânsito
Anda, pára, anda, pára.
Eu olho para a pista ao meu lado,
Os carros parecem mover-se mais rapidamente
Do que nesse pedaço de chão.
Lá vai um, e outro e mais outro.
O outro lado é melhor.
Então, quase que automaticamente,
Minha mão esquerda aciona a seta,
Mas volto aos meus sentidos,
A mesma mão desliga-a.
Não, não. Melhor continuar aqui.
Aí passa um vermelho, um preto, um prata.
E eu aqui parada.
Se eu posso ir rápido,
O melhor não seria sair daqui?
Então, conscientemente, eu sinalizo
Minhas intenções e chego aonde quero.
Direita.
Mas agora aqui não anda.
E eu percebo que o antes era melhor.
Os carros que eu via passando,
Eles eram os que eu ultrapassava.
E agora há concreto no meio.
Eu não posso voltar.

