terça-feira, 17 de junho de 2008

Consolação


Aquele gás vital que enchia seus pulmões e depois circulava por suas hemoglobinas, permitindo que ele tivesse aquele ar sonhador, era paixão e nada mais.

Andava por uma avenida abençoada pelo bondoso sol quando avistou uma banda de flores e, no mesmo segundo, a imagem de Amanda veio a ele. Pensou no seu sorriso e seu braços abertos de felicidade quando recesse um buquê de suas flores favoritas e pôs-se a desembolar os poucos trocados que seu emprego permitia. Era um buquê modesto, mas eram as gérberas mais lindas para a mulher mais linda.

Apertou o passo a fim de chegar o mais rápido possível ao seu ninho e ser recebido pelo calor do toque da mais bela das criaturas. O caminho parecia tão longo quando aquele sentimento de antecipação ardia em seu peito. E enquanto andava, tinha mais certeza de que ela seria até o findar da eternidade o epítome de todo o amor que dele poderia fruir.

Empurrou o velho e pequeno portão de madeira e logo seus olhos diminuíram ao passo que as esquinas de seus lábios curvaram-se. Foi até os fundos e sentou-se na lajota de concreto que estava ao lado de uma tímida lápide que continha apenas uma foto, sem qualquer dizer. Atrás de ambos, uma árvore fazia sombra para que ela continuasse alva e pura, como sempre fora.

Ela estava ali desde seu lapso, quando espíritos diabólicos tomaram-lhe o corpo e disseram que o deixaria. Expulsou-os. E agora Amanda era bela para sempre sob suas gérberas.